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Sintomas de apneia do sono: como saber se eu tenho?

Foto do escritor: Simone Xavier S. Costa
Simone Xavier S. Costa
23 de set.
8 min de leitura

Você ronca, acorda cansado mesmo depois de dormir várias horas ou alguém já comentou que, durante a noite, parece que você simplesmente pára de respirar por alguns segundos?


Esses podem ser sintomas de apneia do sono. E existe uma razão para muitas pessoas demorarem a perceber o problema: boa parte dos sinais acontece justamente enquanto elas estão dormindo.


Às vezes, quem percebe primeiro é o parceiro ou a parceira. Em outros casos, ninguém observa as pausas respiratórias, mas o corpo começa a dar sinais durante o dia. O sono deixa de ser reparador, o cansaço aumenta, a concentração piora e acordar pela manhã parece cada vez mais difícil.


Existem diferentes tipos de apneia do sono. Neste artigo, vamos falar principalmente sobre a apneia obstrutiva do sono, também conhecida pela sigla AOS, que é a forma mais comum da condição.


Uma estimativa internacional amplamente citada sugere que aproximadamente 936 milhões de adultos entre 30 e 69 anos podem apresentar algum grau de apneia obstrutiva do sono, incluindo desde casos leves até formas mais acentuadas.


No Brasil, a quarta edição do estudo EPISONO, publicada em 2026, avaliou uma amostra representativa de adultos da cidade de São Paulo por meio de polissonografia completa. A apneia obstrutiva do sono foi identificada em aproximadamente 37% da população estudada, chegando a cerca de 45% entre os homens.


Como a pesquisa foi realizada em São Paulo, seus resultados não devem ser automaticamente extrapolados para toda a população brasileira. Ainda assim, o estudo reforça que a condição também é muito frequente em nosso país e que muitos casos podem permanecer sem diagnóstico. Por isso, entender os sinais pode ser o primeiro passo para investigar o que realmente acontece enquanto você dorme.


O que acontece durante os sintomas da apneia do sono?


Na apneia obstrutiva do sono, a via aérea superior se estreita ou se fecha repetidamente enquanto a pessoa dorme. Isso provoca reduções importantes ou interrupções temporárias da passagem do ar, chamadas de hipopneias e apneias. Diante desses eventos, o organismo produz reações para restabelecer a respiração. Podem ocorrer quedas da oxigenação e breves despertares ou ativações cerebrais, muitas vezes sem que a pessoa tenha consciência disso.

O problema acontece quando esses eventos se repetem diversas vezes ao longo da noite. Mesmo que você não acorde completamente ou não se lembre de nada pela manhã, essas reações podem fragmentar o sono e prejudicar sua capacidade de ser reparador.


É por isso que algumas pessoas dizem: “Eu dormi oito horas, mas parece que não dormi nada.” Não basta apenas contar quantas horas você passou na cama. A qualidade desse sono é o que importa.

Sintomas de apneia do sono
Fonte: Adaptado de National Heart, Lung, and Blood Institute — NHLBI/NIH (2025). 

Os sintomas de apneia do sono nem sempre aparecem durante o dia


O ronco alto e frequente é provavelmente o sinal mais conhecido, mas roncar não significa automaticamente ter apneia. O que merece atenção é principalmente o padrão do ronco e a presença de outros sinais.


Imagine uma pessoa que está roncando e, de repente, fica em silêncio. Alguns segundos depois, ela volta a respirar de maneira intensa, ronca novamente ou parece engasgar.

Essas pausas na respiração percebidas por outra pessoa são um sinal importante e precisam ser investigadas.

Também podem acontecer:


  • despertares repentinos com sensação de falta de ar ou engasgo;

  • sono agitado;

  • boca seca ao acordar;

  • múltiplos despertares ao longo da madrugada;

  • ronco alto, frequente ou irregular;

  • pausas respiratórias observadas por outra pessoa.


Acordar repetidamente para urinar durante a noite também pode ter relação com alterações do sono. A chamada noctúria possui diversas causas, mas pode ocorrer com maior frequência em pessoas com apneia.


Quando está presente, precisa ser avaliada dentro do conjunto de sinais e das demais condições de saúde. Muitas vezes, não existe um único sintoma revelador. É o conjunto de sinais que começa a contar uma história.


E quando você acorda? O corpo continua mostrando sinais


Nem todos os sintomas de apneia acontecem enquanto você dorme. Um dos mais comuns é acordar cansado mesmo depois de aparentemente ter dormido o suficiente.

Ao longo do dia, esse sono pouco reparador pode se manifestar como:


  • sonolência;

  • fadiga ou falta de disposição;

  • dificuldade de concentração;

  • alterações de memória;

  • irritabilidade;

  • alterações de humor;

  • queda de produtividade.


Existe ainda outro sinal que pouca gente relaciona imediatamente ao sono: a dor de cabeça pela manhã. Uma pesquisa que reuniu resultados de diferentes estudos estimou a presença de dor de cabeça matinal em aproximadamente um terço das pessoas com apneia obstrutiva do sono.


Isso não significa que acordar com dor de cabeça seja suficiente para dizer que alguém tem apneia. Existem inúmeras causas possíveis. Mas, quando esse sintoma aparece junto com ronco, cansaço e alterações respiratórias durante a noite, ele merece ser considerado na investigação.

“Mas eu não tenho sono durante o dia. Então não posso ter apneia?”

Pode. Esse é justamente um dos motivos pelos quais alguns casos passam despercebidos.

Nem toda pessoa com apneia apresenta sonolência excessiva. Algumas sentem principalmente fadiga, falta de disposição, dificuldade de concentração ou alterações de humor. Outras podem apresentar poucos sintomas perceptíveis, mesmo diante de alterações identificadas no exame do sono.


Por isso, fadiga e sonolência não são exatamente a mesma coisa. A sonolência está relacionada à propensão a cochilar ou adormecer. Já a fadiga pode ser percebida como falta de energia, exaustão ou dificuldade para realizar as atividades habituais, mesmo sem vontade de dormir.

Não apresentar sonolência durante o dia, portanto, não é suficiente para afastar a possibilidade de apneia.


Os sintomas de apneia do sono podem ser diferentes nas mulheres?


Nas mulheres, essa diferença merece ainda mais atenção. Elas podem apresentar sintomas menos reconhecidos como “clássicos”, incluindo fadiga, insônia, dor de cabeça e alterações de humor.


Além disso, o risco de apneia aumenta durante o climatério e depois da menopausa. As mudanças hormonais, o envelhecimento e alterações na distribuição de gordura corporal podem contribuir para o aumento desse risco. Por isso, não roncar de maneira extremamente intensa ou não passar o dia cochilando não é suficiente para descartar a condição. Reconhecer essas diferentes formas de apresentação é importante para reduzir o subdiagnóstico da apneia obstrutiva do sono entre as mulheres.


Como saber se eu tenho apneia do sono?


Os sintomas levantam uma suspeita, mas não estabelecem o diagnóstico. Existem questionários utilizados por profissionais para organizar essa avaliação.

O STOP-Bang estima o risco de apneia obstrutiva do sono considerando:


  • ronco;

  • cansaço;

  • pausas respiratórias observadas;

  • pressão arterial elevada;

  • índice de massa corporal;

  • idade;

  • circunferência do pescoço;

  • sexo biológico.


Já a Escala de Sonolência de Epworth avalia a possibilidade de a pessoa cochilar em diferentes situações do cotidiano. Ela ajuda a identificar sonolência diurna excessiva, mas não é um teste específico para apneia.

Uma pessoa pode ter apneia obstrutiva do sono e apresentar uma pontuação normal na Escala de Epworth.

STOP-Bang e Epworth são ferramentas de triagem e avaliação de sintomas. Nenhum dos dois substitui a avaliação clínica nem o exame do sono quando existe indicação.

Quais exames são utilizados para investigar a apneia?


Quando existe suspeita, podem ser necessários exames específicos. A polissonografia realizada em laboratório é o exame mais completo e permite avaliar, entre outros parâmetros, o sono, a respiração, a oxigenação, os eventos respiratórios e os despertares.


Em adultos selecionados, exames domiciliares tecnicamente adequados também podem fazer parte da investigação. Como esses exames apresentam diferentes níveis de complexidade e nem todos registram os mesmos parâmetros, a escolha deve considerar os sintomas, o risco estimado e as condições de saúde do paciente.


Quando um exame domiciliar apresenta resultado negativo, inconclusivo ou tecnicamente inadequado e a suspeita de apneia permanece, pode ser necessária uma polissonografia mais completa.


É a combinação entre avaliação clínica e exame adequado que permite confirmar ou afastar a apneia e estimar sua gravidade. Uma gravação do ronco ou um aplicativo de celular pode oferecer pistas, mas não substitui um exame do sono.


Por que não devemos normalizar um sono ruim?


Muita gente se acostuma. Acostuma a roncar. Acostuma a acordar cansado. Acostuma a depender de muito café para funcionar pela manhã. Acostuma a dizer que “sempre dormiu mal”. Só que dormir mal durante anos não transforma um problema em algo normal.


A apneia obstrutiva do sono está associada à hipertensão arterial e a diferentes condições cardiovasculares e metabólicas, como arritmias, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, AVC, síndrome metabólica e diabetes tipo 2.


Isso não significa que todas as pessoas com apneia desenvolvem essas condições. As relações são complexas e também envolvem idade, peso, hábitos e outras características de saúde. Ainda assim, essas associações reforçam a importância de reconhecer o problema, avaliar os riscos individuais e indicar o tratamento adequado.

Existe também um impacto que pode aparecer muito antes: a qualidade de vida começa a mudar.


Concentração, disposição, humor e produtividade podem ser afetados quando o organismo passa noite após noite sem conseguir manter um sono reparador.

Por isso, investigar os sintomas não significa apenas tentar acabar com o ronco. Significa olhar para a saúde do sono como parte da saúde do corpo inteiro.



E onde entra a Odontologia do Sono?


A Odontologia do Sono pode participar tanto da triagem quanto do tratamento.

Durante a avaliação odontológica, é possível reconhecer sintomas, condições bucais e características craniofaciais relacionadas ao risco de distúrbios respiratórios do sono. Quando existe suspeita, o paciente deve seguir para a investigação diagnóstica adequada e, quando necessário, para o cuidado integrado com outros profissionais.


Depois do diagnóstico, o tratamento da apneia depende das características, da gravidade, dos sintomas, das condições de saúde e das preferências de cada paciente. Não existe uma única solução para todos. Em determinados casos de apneia obstrutiva do sono, pode ser indicado um aparelho intraoral de avanço mandibular personalizado e ajustável.


Utilizado durante o sono, ele mantém a mandíbula em uma posição mais anterior e controlada, contribuindo para ampliar o espaço da via aérea superior e favorecer a passagem do ar.

Sintomas de apneia do sono
Como funciona o aparelho intraoral: Comparação da via aérea durante o sono sem e com o aparelho intraoral de avanço mandibular, mostrando a mandíbula posicionada anteriormente e a ampliação do espaço respiratório.

O aparelho intraoral costuma ser indicado para adultos com apneia obstrutiva do sono leve e para casos selecionados de apneia moderada. Quando o CPAP é o tratamento prioritário, especialmente nos quadros mais graves, os esforços devem se concentrar inicialmente na adaptação ao equipamento.


Se, apesar do acompanhamento e dos ajustes necessários, houver intolerância persistente ao CPAP, o aparelho intraoral pode ser considerado em situações selecionadas, como alternativa ou terapia associada. A indicação deve ser individualizada e a resposta ao tratamento, confirmada por acompanhamento clínico e, quando necessário, por um novo exame do sono. Não estamos falando de uma placa para bruxismo nem de um dispositivo genérico comprado pela internet.


O tratamento exige avaliação dos dentes, da gengiva, da mordida, das articulações temporomandibulares e da capacidade de movimentação da mandíbula. Também envolve ajustes progressivos, acompanhamento dos possíveis efeitos e avaliação da resposta ao longo do tempo. Quando indicado, um novo exame do sono pode ser necessário para confirmar objetivamente a eficácia do tratamento.

Dra. Simone Xavier: avaliação em Odontologia do Sono em Florianópolis


A Dra. Simone Xavier atua com Odontologia do Sono em Florianópolis, realizando triagem de pacientes com ronco e outros sinais de distúrbios respiratórios do sono, orientando sobre a investigação necessária e conduzindo o tratamento com aparelho intraoral quando existe indicação.


O trabalho começa pela compreensão dos sintomas, dos exames já realizados e das condições bucais e mandibulares. Quando o aparelho intraoral é uma opção adequada, o tratamento é planejado individualmente, ajustado de forma progressiva e acompanhado ao longo do tempo.

Porque tratar a apneia não significa simplesmente tentar silenciar o ronco.


O objetivo é melhorar a respiração durante o sono e fazer parte de um cuidado voltado à saúde, à segurança e à qualidade do descanso.

Se você ronca frequentemente, acorda cansado, apresenta alguns dos sintomas de apneia ou já ouviu de alguém que sua respiração muda enquanto você dorme, não precisa esperar o problema se tornar ainda mais evidente.

Agende uma avaliação com a Dra. Simone Xavier, em Florianópolis, e entenda quais são os próximos passos para investigar e cuidar melhor do seu sono.


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