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Como parar de roncar: 5 tratamentos que funcionam

Foto do escritor: Simone Xavier Silva Costa
Simone Xavier Silva Costa
há 3 dias
8 min de leitura

Quase sempre, quem percebe o ronco primeiro é a pessoa ao lado. Quem ronca costuma descobrir no dia seguinte, pelo comentário, por uma gravação no celular ou pelo cansaço que não parece combinar com uma noite de sono.


Se você chegou até aqui procurando como parar de roncar, existe uma boa notícia: há tratamentos eficazes quando corretamente indicados. Mas a escolha não começa em uma receita caseira nem na compra de um aparelho pela internet. Começa ao descobrir por que o ar está encontrando dificuldade para passar enquanto você dorme.


O mesmo som pode ter causas diferentes. Em algumas pessoas, o ronco é primário, ou seja, não vem acompanhado de apneia. Em outras, ele é um sinal de apneia obstrutiva do sono, condição em que a passagem do ar se reduz ou se fecha repetidamente durante a noite. Por isso, o tratamento que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra.


Por que uma pessoa ronca?


Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa. Quando o espaço para a passagem do ar fica mais estreito, tecidos como o palato mole, a úvula, a língua e as paredes da faringe podem vibrar. Essa vibração produz o som do ronco.


Alguns fatores favorecem esse estreitamento, como dormir de barriga para cima, consumir álcool antes de dormir, ter obstrução nasal, apresentar alterações anatômicas nas vias aéreas, estar com excesso de peso ou ter aumentado de peso etc. O posicionamento da mandíbula e da língua também pode contribuir.


Isso explica por que não existe um único tratamento para o ronco. É preciso identificar quais fatores realmente estão presentes em cada caso.



Antes de buscar como parar de roncar, investigue a apneia do sono

Nem toda pessoa que ronca tem apneia, mas não é possível diferenciar os dois quadros apenas pela intensidade do som. O chamado ronco primário só deve ser considerado depois de uma avaliação adequada e de a apneia ter sido afastada.

Alguns sinais merecem atenção:


  • ronco alto e frequente;

  • pausas na respiração percebidas por outra pessoa;

  • engasgos, sensação de sufocamento ou despertares repetidos;

  • sono agitado e pouco reparador;

  • cansaço ou sonolência durante o dia;

  • dor de cabeça ao acordar;

  • dificuldade de concentração ou memória;

  • alterações de humor;

  • hipertensão, principalmente quando é difícil de controlar.


A avaliação clínica e alguns questionários validados ajudam a reconhecer o risco, mas não estabelecem o diagnóstico isoladamente. A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono recomenda a polissonografia ou, em adultos selecionados, sem determinadas condições clínicas associadas e com suspeita de apneia moderada ou grave, um exame domiciliar tecnicamente adequado.


Quando o teste domiciliar é negativo, inconclusivo ou tecnicamente inadequado e a suspeita permanece, recomenda-se a polissonografia em laboratório.

Em outras palavras, uma gravação feita com o celular pode confirmar que existe barulho, mas não consegue mostrar, sozinha, se há apneia nem avaliar adequadamente a respiração e a oxigenação durante a noite. Aplicativos podem registrar o ronco e oferecer algumas pistas sobre o sono, mas não conseguem, isoladamente, determinar a causa do problema nem confirmar ou afastar um distúrbio respiratório do sono.


Como parar de roncar

Como parar de roncar: 5 tratamentos que funcionam quando bem indicados


1. Aparelho intraoral de avanço mandibular


O aparelho intraoral de avanço mandibular personalizado é uma das principais possibilidades para o tratamento do ronco primário e de casos selecionados de apneia obstrutiva do sono. Ele mantém a mandíbula em uma posição mais anterior e controlada durante o sono. Como a língua e outros tecidos acompanham esse movimento, o espaço da via aérea superior tende a aumentar e o ar pode passar com menor resistência.


Uma diretriz conjunta da Academia Americana de Medicina do Sono e da Academia Americana de Odontologia do Sono recomenda aparelhos intraorais para adultos que desejam tratar o ronco primário, depois de afastada a apneia. Nos casos de apneia, eles podem ser considerados em determinados tipos de apneia ou quando o paciente não se adaptou ao CPAP ou ainda em associação ao CPAP, desde que exista diagnóstico adequado, indicação individualizada e acompanhamento da resposta ao tratamento.


É importante entender que o aparelho utilizado na Odontologia do Sono não é uma placa para bruxismo e não equivale aos dispositivos vendidos prontos pela internet. Ele precisa ser confeccionado sob medida, ajustado de forma progressiva e acompanhado ao longo do tempo.


O dentista do sono avalia dentes, gengivas, mordida, articulações temporomandibulares e capacidade de movimentação da mandíbula antes de indicar o dispositivo. Depois, acompanha o conforto, a adaptação, os possíveis efeitos sobre a mordida e a resposta ao tratamento.


2. CPAP


O CPAP envia ar por uma máscara com pressão suficiente para manter a via aérea aberta durante o sono. Na apneia obstrutiva do sono, é o tratamento mais eficaz para reduzir os eventos respiratórios enquanto está sendo utilizado. É frequentemente a primeira opção nos quadros moderados e graves, mas também pode ser indicado em casos leves, conforme os sintomas, as repercussões clínicas e as características do paciente.


Quando a via aérea permanece aberta, o ronco costuma reduzir ou desaparecer durante o uso do equipamento. O CPAP não costuma ser a primeira escolha para o ronco primário, pois pode representar um tratamento mais complexo do que o necessário nesse cenário.


Já na apneia, não deve ser descartado apenas por uma primeira experiência desconfortável. Ajustes de máscara, pressão e umidificação, além de orientação e acompanhamento profissional, podem melhorar significativamente a adaptação.


3. Terapia posicional


Algumas pessoas roncam muito mais quando dormem de barriga para cima. Nessa posição, a língua e outros tecidos podem se deslocar para trás e estreitar ainda mais a passagem do ar. Quando o exame e a avaliação clínica mostram que o ronco ou a apneia dependem da posição, a terapia posicional pode ajudar. Ela utiliza estratégias ou dispositivos próprios para reduzir o tempo dormindo de costas e favorecer o sono de lado.


Os estudos mostram que a terapia posicional pode reduzir eventos respiratórios e sonolência em pessoas com apneia posicional quando comparada à ausência de tratamento. 

Isso significa que dormir de lado pode funcionar, mas principalmente para quem tem um problema realmente posicional. Usar um travesseiro diferente sem investigar a causa pode reduzir o barulho em determinada noite e, ainda assim, deixar uma apneia sem diagnóstico ou tratamento.


4. Controle do peso e dos fatores que agravam o ronco


Quando há sobrepeso ou obesidade, o acúmulo de tecido ao redor da via aérea pode favorecer seu estreitamento durante o sono. A redução do peso, quando indicada, pode diminuir o ronco e melhorar a gravidade da apneia. O ideal é seguir uma estratégia estruturada, com alimentação adequada, atividade física e suporte comportamental. A melhora pode ser relevante, mas emagrecer não garante a resolução completa do problema e não deve servir como motivo para adiar um tratamento específico para a apneia.


Outros cuidados também podem fazer diferença:

  • evitar álcool, principalmente nas horas que antecedem o sono;

  • tratar rinite, congestão e outras causas de obstrução nasal com orientação profissional;

  • revisar com o médico o uso de medicamentos sedativos, sem interrompê-los por conta própria;

  • manter uma rotina de sono mais regular;

  • não fumar.


Os estudos mostram que o consumo de álcool pode piorar o ronco, aumentar os eventos respiratórios e reduzir a oxigenação durante o sono, especialmente em pessoas suscetíveis ou que já apresentam apneia.


Essas medidas ajudam, mas não transformam qualquer spray nasal, dilatador ou receita caseira em tratamento universal. Se a obstrução estiver na garganta ou estiver relacionada ao posicionamento da mandíbula e da língua, desobstruir apenas o nariz pode não resolver o problema.


5. Tratamento de alterações anatômicas e cirurgia em casos selecionados


Amígdalas aumentadas, pólipos nasais, desvios importantes do septo, alterações do palato e determinadas características craniofaciais podem participar da obstrução da via aérea. Nesses casos, pode ser necessária a avaliação de um otorrinolaringologista ou cirurgião bucomaxilofacial com atuação em distúrbios respiratórios do sono.


Não existe uma única “cirurgia do ronco”. O procedimento depende do local e do tipo de obstrução, e os resultados variam conforme as características e a seleção do paciente. Por isso, a cirurgia não deve ser indicada apenas porque o ronco é alto.


Qual é o melhor tratamento para parar de roncar?


O melhor tratamento é aquele que atua nos fatores relacionados ao ronco, cabe na rotina do paciente e tem sua eficácia confirmada durante o acompanhamento.

Em algumas pessoas, uma única abordagem é suficiente. Em outras, o resultado pode melhorar com uma combinação de tratamentos, como aparelho intraoral e terapia posicional, controle do peso associado ao CPAP ou tratamento odontológico integrado à fonoaudiologia e à medicina do sono.


O ponto central é não confundir redução do barulho com controle da doença. Se existe apneia, o tratamento precisa ir além da diminuição do ronco: deve controlar adequadamente os eventos respiratórios e suas repercussões.

O relato da pessoa que dorme ao lado é valioso, mas, em muitos casos, um novo exame do sono é importante para confirmar objetivamente a resposta ao tratamento.


Como o dentista do sono pode ajudar?


Quem pesquisa como parar de roncar não precisa chegar à consulta sabendo qual aparelho deve usar. Esse é justamente o papel da avaliação: compreender os sintomas, examinar as estruturas bucais, identificar sinais de risco e definir quais exames ou encaminhamentos são necessários.


Na minha consulta de Odontologia do Sono, realizo uma avaliação criteriosa da saúde bucal, da mordida e função mandibular, dos hábitos e dos sinais relacionados ao sono.

Quando indicado, a investigação pode incluir o Exame do Sono Biologix, realizado em domicílio com um sensor de oximetria de alta resolução associado a um aplicativo. Trata-se de uma ferramenta validada que pode auxiliar na avaliação do ronco e da suspeita de apneia obstrutiva do sono em pacientes selecionados.


Conforme o perfil clínico e os resultados encontrados, pode ser necessária uma polissonografia ou a avaliação de outros profissionais da equipe do sono.

Nos casos em que o aparelho intraoral é uma opção adequada, o planejamento é individualizado e inclui confecção sob medida, adaptação, ajustes progressivos e acompanhamento da resposta ao tratamento.


O objetivo não é entregar um aparelho para qualquer pessoa que ronca. É construir um tratamento coerente com o diagnóstico, o conforto e a segurança de cada paciente. Conheça meu atendimento como dentista do sono em Florianópolis, realizado presencialmente na Vitaclass, no bairro Santa Mônica.


Perguntas frequentes sobre como parar de roncar


O que fazer para parar de roncar na mesma noite?

Dormir de lado e evitar álcool antes de deitar podem reduzir o ronco em algumas pessoas, mas não existe uma solução imediata e segura que funcione para todos. Se o ronco é frequente, a causa precisa ser investigada.


O aparelho intraoral para ronco funciona?

Sim. O aparelho intra-oral de avanço mandibular pode reduzir o ronco primário e tratar casos selecionados de apneia obstrutiva do sono. A indicação depende do diagnóstico e das condições bucais, dentárias e mandibulares.

Aparelhos prontos não oferecem a mesma personalização nem substituem a avaliação, os ajustes progressivos e o acompanhamento profissional.


Toda pessoa que ronca tem apneia do sono?

Não. Existe o ronco primário, sem apneia, mas os dois quadros não devem ser diferenciados apenas pelo barulho. Pausas respiratórias, engasgos, sono não reparador e sonolência durante o dia aumentam a necessidade de investigação.


Dormir de lado faz parar de roncar?

Pode ajudar quando o ronco é posicional, ou seja, quando piora de forma importante ao dormir de barriga para cima. Em outros casos, mudar de posição pode ter pouco efeito.


Colocar fita na boca é seguro para parar de roncar?

As evidências disponíveis ainda são limitadas e de baixa qualidade. A prática pode trazer riscos, especialmente para pessoas com obstrução nasal ou com um distúrbio respiratório do sono ainda não diagnosticado.

Fechar a boca não corrige, por si só, o local onde a via aérea está estreitando e não deve ser utilizado como substituto de uma avaliação adequada.


Qual profissional procurar para tratar o ronco?

O cuidado pode envolver profissionais da medicina como o otorrinolaringologista, o pneumologista, o psiquiatra, fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas e o dentista do sono, conforme as características e a causa do problema.

O dentista do sono tem papel importante na triagem, diagnóstico e no tratamento com aparelhos intraorais quando existe indicação.



Parar de roncar é importante, mas respirar bem é o verdadeiro objetivo


Se você ronca com frequência, acorda cansado ou já ouviu que faz pausas para respirar, agende uma avaliação.

Diminuir o som é um bom resultado. Ter segurança de que a respiração está sendo adequadamente tratada durante a noite é ainda melhor.




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